Você pode não perceber, mas existem forças que lutam contra
você, contra seu desenvolvimento profissional. Existe no Brasil, um histórico
de permanência dos poderes, nesse jogo, a classe dominante luta para manter as posições
de destaque, o governo refém dos recursos oriundos da classe alta elabora políticas
públicas que favorecem o status quo e, a sociedade empresarial e cível mantém
certos paradigmas que privilegiam a nobreza. Curiosa(o) para explorar mais essa
questão e os impactos no seu crescimento? Continue comigo abaixo.
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Uma educação superior de qualidade para elite, desde...
sempre!
Não é segredo para ninguém a força e influência que as
classes dominantes exercem no governo. Uma dessas influências têm particular
incidência no desenvolvimento profissional dos trabalhadores brasileiros.
Através da ocupação de cargos públicos pela elite brasileira, foi possível a
criação de políticas publicas que favorecessem tal elite. Nos primórdios dos
1900, com o surgimento das Universidades Federais nos grandes centros
Brasileiros da época (Rio de Janeiro e São Paul), a oferta de educação de
qualidade visava apenas aos filhos da classe alta.
Note que: antes mesmo de investir em educação básica
universal, já existiam no início dos anos 1900 diversas universidades publicas para
atender a demanda dos ricos. As pessoas que conseguiam entrar nessas
universidades, necessitam então, ter uma educação básica de qualidade e, que,
portanto, era um privilégio da nobreza, pois somente ela tinha recursos para
manter seus filhos em boas escolas particulares, já que não havia na época uma
lei de educação básica popular nacional.
Um pouco mais de educação de qualidade para a elite.
Esse cenário permaneceu até meados de 1971 (71 anos!!),
quando foi lançada a segunda revisão da Lei de Diretrizes Básicas da Educação
(a primeira versão foi publicada em 1961, mas sem grandes feitos para a população
em geral), tornando obrigatório a conclusão do primeiro e segundo grau pela
população brasileira, ficando então sob a responsabilidade dos estados e da
federação tal oferta.
No período que compreende 1900 a 1971 foram criadas diversas
escolas profissionalizantes, que também eram inicialmente ocupadas por
estudantes da elite, foi somente com o tempo que as escolas técnicas começaram
a ser ocupadas por pessoas oriundas de outras classes. Nesse período também,
surgiram diversas faculdades e universidades particulares, que cobravam altos
honorários e, novamente excluíam da equação as demais classes.
Com esse breve resumo da educação no Brasil, podemos notar
que ofertar ensino de qualidade a população em geral nunca foi uma política
pública do governo. Grande parte da população brasileira foi ter acesso a
educação publica a partir de 1961 e, mesmo assim não conseguiam chegar até os
mais altos níveis de educação, a faculdade, pois ou: i) era cara demais para
pagar, ou ii) o aluno tinha não conhecimento suficiente para competir com os
filhos da elite nos vestibulares.
Princípio de uma mudança: educação superior para os
trabalhadores (também)!
Foi somente em 2003 com o início do governo Lula, que a
situação começou a mudar e, mais universidades federais foram criadas, para
atender maior fatia da população e, em conjunto as cotas sociais também
auxiliaram o acesso a educação de qualidade aos mais pobres, que puderam então
começar a ter acesso a bens e serviços de qualidade e, então começar sua
ascensão de classe.
Outra política pública que ajudou imensamente a população em
geral, foi a criação de ProUni – Programa Universidade para todos, também no
governo Lula. Esse programa levou milhares de estudantes aos bancos das
universidades particulares e mais gente da classe operaria começou a ter acesso
a graduação e, portanto, melhor qualidade de vida.
Calma lá, educação para todos não é bom! Vamos estancar
isso ai!
Contudo, apesar da inclusão da população em geral nas
universidades, não foi o suficiente para uma mudança cultural no país, pois a
população trabalhadora, só foi treinada para chegar até determinados cargos nas
empresas e instituições como um todo. Em resumo a educação que experimentamos
foi utilitarista, que visava apenas garantia de emprego (técnico de preferência!),
mas não uma formação plena do cidadão.
Pense no seu caso, durante o ensino médio e graduação, as
disciplinas: sociologia, filosófica, ciências políticas, ética e cidadania,
estiveram presentes em sua grade curricular? Creio que muito pouco e sem
nenhuma ênfase.
Não foi atoa que houve um grande levante contra a presidenta
Dilma, que representava uma continuidade da inclusão dos pobres nas políticas públicas,
que culminou em seu impeachment em 2015. A força que discutimos aqui, é da
classe dominante que deseja manter o governo e, portanto, a população em geral
produzindo apenas em benefício dela mesma. Um governo que governa para todos é
ruim (para a elite), pois torna a sociedade mais igualitária e justa.
A cultura atua na manutenção do status-quo: Paradigma Empresarial
Seguindo em nossa análise histórica das forças que travam o
crescimento dos profissionais, vamos analisar agora o contexto empresarial.
Faça uma reflexão sobre os ocupantes de cargos da liderança em empresas e
instituições, tais pessoas são oriundas de qual classe?
Ao menos em minha experiência, percebo que em grande maioria
os diretores, presidentes e gerentes de grandes organizações, são compostos por
indivíduos oriundos da classe dominante, pois, eles estudaram desde o início
dos tempos nas melhores escolas (particulares) de ensino básico, fundamental e
médio e, quando a idade adulta chegou, estudaram também nas melhores
universidades (públicas), pois somente eles estavam preparados para adentrar
nestes centros públicos de promoção de uma elite brasileira.
Se você, assim como eu, é de um estado do interior do país
(no meu caso Goiás), já deve ter se deparado com o seguinte paradigma: “os diretores
das empresas goianas são importados de São Paulo ou Rio de Janeiro”, pois
existe uma crença empresarial de que apenas estes profissionais têm formação
suficiente para tocar o crescimento das empresas em Goiás, ou qualquer outro
estado do interior (fora do eixo Rio-São Paulo).
Este paradigma empresarial, dificulta a trajetória de
profissionais regionais rumo ao crescimento e ocupação de cargos importantes
nas empresas e instituições. Na maioria dos casos, quando existe a necessidade de
altos executivos, as empresas têm a tendência em buscar candidatos do eixo
Rio-São Paulo (existe uma tímida mudança em curso).
Em contrapartida, os profissionais regionais ficam, na
maioria das vezes, relegados aos cargos mais baixos das organizações. O que limita,
portanto, seu crescimento e, também – se não principalmente sua ascensão social
- pois a renda fica estagnada e, o nível de acesso aos produtos e serviços
permanece o mesmo. Está é ou não é uma ferramenta de controle social?
A cultura atua na manutenção do status-quo:
Paradigma Civil
A falta de educação plena, com direito a consciência de
classe, acesso e poderes, leva a sociedade civil a perpetuar crenças limitantes
para ela mesma. Os diretos cívicos que logramos hoje (voto, programas sociais,
educação básica, educação superior etc.) somente foram conquistados com luta e,
pelo que tenho visto somente permanecerão com luta social.
Nesse contexto, a sociedade civil no geral, ainda não têm
como valores básicos: a educação, a consciência de classe, o acesso a produtos
e serviços de qualidade, a luta pelos diretos. No percurso dos anos, a
população geral, é também liderada pelas crenças da sociedade dominante.
É devido a isto que dificilmente notamos: i) profissionais
da classe trabalhadora ocupando altos cargos na liderança das empresas, ii)
mulheres na liderança, iii) negros diretores e, por aí vai a, lista de
preconceitos e crenças limitantes influenciando no crescimento dos
profissionais oriundos da classe trabalhadora no mercado de trabalho.
Os paradigmas que permeiam a sociedade civil são oriundos de
diversas fontes, desde o desejo da classe dominante em manter suas vantagens,
do machismo estrutural tão presente em toda sociedade brasileira e, do racismo
também estrutural.
Portanto, é fácil de observar que mentalidade oriunda do
senho comum da classe trabalhadora, atua contra o crescimento dos profissionais
oriundos dela mesma. É uma combinação perfeita para segurar o desenvolvimento
da população geral.
Um antídoto contra a as forças limitadores: tomada de
consciência
Para liberta-se deste cenário limitador é preciso adotar
posturas que promovam a tomada de consciência por parte do cidadão, ocorre que
não existe estímulo social para que você cresça profissionalmente e alcance os
altos cargos em empresas e instituições, portanto, este estímulo deve partir
de você.
Gosto de adicionar o desenvolvimento da sociedade brasileira
em minhas pesquisas sobre temas diversos para entender por que as coisas são
como são? e como elas impactam a minha vida e meu crescimento? foi assim
que aprendi a ter uma visão autônoma em relação a vida e a sociedade. Foi
somente através, da minha consciência de classe que pude ver qual era o
meu lugar na sociedade organizada (e limitadora) e, como poderia me libertar
dessa cultura paralisante.
Em meu núcleo familiar, a educação e o conhecimento foram
sempre pilares para uma vida melhor, desta forma aprendi a levar educação a
sério e via na escola, a única saída para minha ascensão social. Tive que
lutar, contra meus colegas de classe que desestimulavam alunos participantes
(como eu), que eram considerados CDFs e, portanto, excluídos do “grupo dos
legais da escola”. Já notou que a inteligência é desencorajada o tempo inteiro nas
comunidades populares?
De acordo com minha experiência pessoal o cerne da questão é
você: tornar-se um ser pensante e se jogar no aprendizado, buscando autonomia
na interpretação do mundo ao redor. É somente com uma visão plena, conquistada
através da educação, que você poderá começar a lutar contra as forças
dominantes que limitam seu crescimento.
A tomada de consciência sobre o mundo que habitamos e as
forças que atuam contra nós, é o princípio da mudança real. Portanto, não aceite fazer cursos sem se
dedicar ao máximo para colher a essência daquele conhecimento e, em seguida
aplicar esse conteúdo na sua rotina pessoal.
É possível, conquistar posições de destaque na liderança das
empresas, entretanto, você precisar transformar-se, primeiro em um agente
autônomo de conhecimento e, ir à luta, pois o caminho não é fácil, mas é
possível de encarar com muito conhecimento e discernimento social, educacional,
técnico e emocional. Estes são os elementos da luta, estes são os elementos
da superação das limitações impostas pelas forças, aparentemente, ocultas que
influenciam a todos da classe popular.
Algumas sugestões para você aplicar no seu dia a dia:
I) Procure saber o Porquê das coisas? Investigue,
pergunte, entenda
II) Reflita sobre as limitações na sua rotina, como
elas foram postas lá?
III) Busque conhecimento sobre os temas que te
intrigam, encontre estudos científicos das universidades brasileiras
disponíveis na internet.
IV) Adote a leitura como um hábito, há muito
conhecimento nos livros, é a forma mais barata (e acho que uma das mais
efetivas) para crescer.
Considerações finais
Escrevi este artigo em resposta a uma grande vontade interior
em compartilhar pensamentos e reflexões sobre a vida, sociedade e mercado de
trabalho. Acredito nas forças invisíveis que nos conectam uns aos outros.
Espero que essas breves palavras possam servir de ajuda e inspiração para alguém.
Acredito que os temas aqui trazidos estão interconectados e,
portanto, podem ajudar na melhor compreensão das forças invisíveis que limitam
o crescimento do indivíduo. Se você tem
algo a compartilha sobre o tema, sinta-se à vontade para contar sua história
nos comentários e, vamos juntos trilhando este caminho da tomada de consciência
e luta de classes.
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primeira mão os próximos artigos que irei publicar, inscreva-se na Maxnews Newsletter,
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Referências
- Tese de doutorado em ciências sociais, do Carlos Antonio
Costa Ribeiro – Estrutura de classe e mobilidade social no Brasil, disponível
em: https://bityli.com/jJmqPEk
- Reportagem do jornal Gazeta do Povo: A história da
Educação no Brasil: uma longa jornada rumo à universalização, disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/a-historia-da-educacao-no-brasil-uma-longa-jornada-rumo-a-universalizacao-84npcihyra8yzs2j8nnqn8d91/
Quem é, o Max, afinal?
Olá, muito prazer em te conhecer. Sou formado em
Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Pós-graduado em Educação do
Ensino Superior. Comecei a trabalhar como menor aprendiz e, passei pelos cargos
de auxiliar de DP, analista de DP, trainee de auditoria, auditor assistente,
auditor sênior, gerente de auditoria, especialista de planejamento financeiro e
agora atuo como Controller Financeiro de uma multinacional canadense em
Goiânia.
Meu atual proposito é compartilhar o conhecimento adquirido
nessa jornada e, esperançosamente ajudar outros profissionais a crescerem em
suas carreiras.

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